Dignidade e Salário

Em 5 de fevereiro de 2018 às 15:25, por Gilson Gil.

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Um secretário estadual possui muitos deveres, com certeza. É uma vida atribulada, sem horários fixos e com uma ameaça constante de processos e interpelações pelo resto da vida. Além disso, o próprio cargo necessita de elevado conhecimento técnico e habilidade política considerável. Se comparados aos salários, em cargos similares, de executivos de empresas privadas, são vencimentos reduzidos. Em um país com salários tão achatados, é chato falar isso, mas, proporcionalmente, são salários reduzidos, pela magnitude da função que exercem.

Contudo, há outros servidores, como os professores, que estão com salários congelados há cerca de 4 anos. E isso exercendo também funções de alto teor técnico e grande relevância social. Não mexem com bilhões, como alguns secretários, nem são responsabilizados por desvios ou aplicações equivocadas, mas são muito importantes também.

 Quando o governador atual diz que é preciso aumentar o salário para que os “secretários sejam honestos e vivam com dignidade”, uma certa insensibilidade paira no ar. Em termos técnicos, é vital aumentar certos vencimentos, pois a necessidade de especialistas de elevado nível é grande. Com salários baixos, em termos de mercado, não se pode atrair técnicos de alta capacidade. Contudo, a pessoa pode ser honesta sem ter salários elevados. Será que um professor que recebe menos de 3 mil reais é desonesto? Sua vida é menos digna? Só os secretários podem ter uma vida digna? A infelicidade da fala oficial reside nesse ponto. Não há dúvidas de que técnicos capazes merecem bons salários. Porém, todos os profissionais merecem receber bons salários. Todos merecem uma vida digna. Ter salários congelados por tantos anos é algo indigno. Nesses termos, manter salários congelados tanto tempo seria uma condenação à indignidade e desonestidade.

Enfim, estou falando que honestidade e dedicação ao trabalho não dependem tão diretamente de valores mensais, embora tenham algum tipo de relação. Dignidade profissional é algo que existe independentemente de valores salariais, apesar de haver relações entre isso. Se o governador deseja mesmo falar de dignidade, poderia rever certas políticas salariais. Essa busca pela dignidade poderia atravessar várias categorias e não só as do andar de cima. Em vez de fechar nos secretários os aumentos, seria uma boa hora para ver aumentos lineares e melhorias gerais. Assim, se poderia falar melhor em dignidade e honestidade. Coisas necessárias, mas muito duras de serem contratadas.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.