De nascimento, ruas, políticos e canalhas

Em 28 de abril de 2016 às 15:30, por Jorge Alvaro.

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Antigamente, em Manaus, os remediados (nunca houve ricos por aqui) nasciam no hospital da Beneficente Portuguesa, num dos prédios mais imponentes do centro da cidade, situado na avenida Joaquim Nabuco, que possui uma arquitetura que ainda resiste às tentativas modernas de acabar com a história da cidade. Os outros, nos quais me incluo, nasciam em casa, promovidos a esse mundo cruel pelas maravilhosas mãos das parteiras. Depois, veio o Gilberto Mestrinho nos governar e, já copiando sabe-se lá quem, inaugurou a maternidade Balbina Mestrinho com o mesmo nome de sua sagrada mãe, hospital que mudou de nome para Ana Nery na época da ditadura militar. Com a volta do homem do timão em 1982, a mesma mãe foi re-homenageada. Minha rua de nascimento foi a Borba, no bairro da Cachoeirinha, casa de número 1122. Próximo, nas esquinas da rua Tefé com a avenida Carvalho Leal, estacionavam os  poucos ônibus da Transportamazon, empresa estadual criada no governo de Plínio Coelho, homem do PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, ainda saudoso do getulismo. Na casa em frente a nossa, morava a família de Epitácio de Almeida, o Pita e, na esquina da Borba com a Tefé, o Francisco Correa Lima, o Chiquito, eternos candidatos a algum cargo de vereador ou deputado, os políticos mais próximos que tínhamos à época. Ainda hoje vê-se a boa ideia do projeto arquitetônico daquele bairro quando transitamos pelas suas largas ruas, desde a Maués, fronteira com o bairro da Raiz, até a Castelo Branco, cujo nome antes do golpe de 64 era Uaupés. Os nomes das ruas eram homenagens a vários municípios do interior do Estado: Itacoatiara, Parintins, Tefé, Borba, Santa Isabel (do Rio Negro?), Urucará e Maués. Pelo menos quanto a essas ainda não tentaram colocar o nome de alguns canalhas que, vivos, posavam  de bons moços por estas paragens.

sobre o autor

Articulista-Jorge-AlvaroGinasiano do Colégio Estadual, de 1969 a 1975, tímido para ser líder, somente em 1996 presidiu a associação dos juízes trabalhistas da Região, por dois anos. De Manaus, onde pretende morrer, ouve música e assiste filmes, indiscriminadamente. Mais leitor que escritor, afinal ser o segundo é para poucos. Aceita desafios.

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