Contando Histórias 27

Em 3 de outubro de 2018 às 14:00, por Cláudio Barboza.

compartilhe

Meses após sair do Jornal do Norte, recebi um telefonema do jornalista Paulo Markun, que havia deixado à diretoria geral do jornal. Ele queria que eu indicasse um advogado para acompanhá-lo numa ação que iria mover contra a empresa.  Indiquei o advogado Antônio Lucena que o representou.

Foi então que tomei conhecimento: Markun havia registrado o nome Jornal do Norte como de sua propriedade e o empresário Paulo Girardi teve que pagar para ser dono do título. Posteriormente, ao que parece o nome Jornal do Norte foi vendido ao empresário do setor de educação, Valdery Areosa.

A vida do Jornal do Norte foi curta, mas intensa e com reflexos positivos na mídia local. Ao todo, o projeto pleno, com uma redação que chegou a ter mais de 130 profissionais, alcançou uns quatro meses quando começaram os cortes.

O sistema de “ilha” hoje tão normal na formatação física das redações de Manaus começou no Jornal do Norte, com as editorias se agrupando em espaços específicos.

O Editor de Texto que o JN usou foi outro avanço. Comprado junto ao jornal Estado de Minas era dos mais modernos. A ideia original do projeto era que os editores fechassem as páginas, eliminando a diagramação formal. A iniciativa, no entanto, não se concretizou.

Os salários do Jornal do Norte puxaram a média salarial dos jornalistas de Manaus para cima. Um editor em 1996, no lançamento do jornal, chegou a receber mais de R$ 5 mil entre salário, gratificações e extras.

O trabalho de reportagem do JN, apurações, fotografias e edições de página também merecem destaques. O grande problema foi a falta de gestão. O empresário Paulo Girardi investiu pesado, mas a equipe responsável pela administração, à frente o jornalista Paulo Markun não tinha a visão administrativa necessária.

Um telefonema do meu amigo Sebastião Reis e uma conversa com outro amigo, Paulo Castro, me levariam de volta a redação. Era o início do projeto “Estado do Amazonas”. Mas essa é uma história mais para a frente…

Comentários

sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.