Contando histórias (16)

Em 11 de setembro de 2017 às 08:00, por Cláudio Barboza.

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O cantor Paulo Sérgio cantava a “Última Canção” enquanto Antônio Marcos falava da “Menina de Trança”. Nossos cabelos eram longos e alguns usavam barba. Na redação de A Crítica, os diagramadores utilizavam mesas tais quais de desenhistas e uma pessoa ficava boa parte do tempo ao lado dessas mesas atento às determinações do diagramador, pois era ele quem levava as matérias para um lado e para outro. Às vezes para um editor ou a um repórter, às vezes ao setor de composição, onde a matéria era formatada para ser colada em página.

Esse vai-e-vem era feito pelo “Ponto de Vista”, apelido dado pelo olhar “trocado” que ele tinha. Não sei ao acerto quem o batizou, mas tenho a impressão que foi o jornalista Flaviano Limongi que, ao chegar certo dia à redação, deu de cara com ele e tascou: “Ei, Ponto de Vista!” pegou na hora! Até o Calderaro o chamava assim. Durante anos ele trabalhou na redação.

Nesses anos de algumas mudanças na redação, uma nova dinâmica também passou a ser adotada no dia a dia. Nem todo mundo gostou, mas era algo necessário e hoje muito frequente nos jornais: a reunião das 17h. Era quando os editores de página – polícia, esportes, cidade, política, nacional, internacional e variedades – se reuniam com o editor de primeira página e o diretor de redação. Ali os temas dos dias eram destacados. Praticamente se definia a manchete do dia e as notícias que iriam para a primeira página.

Nesses anos, A Crítica consolidava a liderança no mercado. O jornal A Notícia, após ser vendido por Andrade Neto ao empresário Moura Lopes, iria chegar às mãos do Grupo Garcia, enquanto o Jornal do Commercio, depois de vender o prédio da Eduardo Ribeiro ao Banco Real, estava de sede nova no Bairro Japiim e se preparava para montar uma redação cheia de talentos… mas essa e uma história mais para a frente…

sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.

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