Contando histórias (14)

Em 25 de julho de 2017 às 08:00, por Cláudio Barboza.

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Pery Augusto, um jornalista nascido na Paraíba que construiu carreira no Rio de Janeiro e que resolveu encerrar a carreira em Manaus, era o chefe da nova redação inaugurada em A Crítica nos anos 80, que era bem maior do que a anterior. O acesso se dava pela rua Joaquim Sarmento e, nesta redação, tive oportunidade de conviver com uma geração de grandes profissionais, entre os quais, Flávio Seabra, Mario Monteiro, Gabriel Andrade, Isaías Oliveira, Aldísio Filgueiras, Mario Adolfo, Inácio Oliveira, Atlas Barcelar, Chica do Vale, Flávio Assen, Hermengarda Junqueira, Antônio Menezes, Jorge Estevão, Luisinho Vasconcelos, Carlos Dias, Sebastião Reis, entre outros.

Pery vivia e transpirava jornal. Durante muitos anos dirigiu a redação e, apesar do semblante fechado, tinha lá seus dias de bom humor. De certa vez, o Mário Adolfo, que era o Editor Internacional, queria uma fotografia de um vulcão que dera sinal de vida no México – na rotina do jornal era preciso selecionar as fotos nacionais e internacionais que seriam solicitadas à Agência UPI. O código de cada foto escolhida era repassado para a Neide, que comandava o laboratório do jornal. Ela enviava o pedido e aguardava o material que chegava dentro de um cilindro metálico, via sinal de telefone fixo. Era dessa maneira que as fotografias nacionais e internacionais chegavam – Pery ouviu a solicitação do Mário e no final concluiu: “Mário pega uma foto de arquivo… E, antes que Mário argumentasse, ele concluiu: “vulcão é tudo igual, um buraco saindo fumaça…”

Nessa época, o mais concorrido Baile de Carnaval em Manaus era o Baile do Hawai, no Olímpico Clube. Também nesse tempo o ICHL (Instituto de Ciências Humanas e Letras) da Ufam, funcionava na rua Major Gabriel, esquina com a Ramos Ferreira, concentrando um centro dinâmico do pensamento político local. O Bar Galvez havia estava recém-inaugurado na rua Major Gabriel, alguns quarteirões após o ICHL. Era ali que jornalistas, escritores, artistas, acadêmicos e outras tribos se reuniam e, nas madrugadas adentro, fundavam jornais, criavam revistas e promoviam a revolução…

Muitas mudanças ocorreriam a partir da nova redação de A Crítica, como o surgimento do “editor de primeira página”, as reuniões das 17h… Mas estas são histórias mais para a frente…

sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.

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