Contando histórias (13)

Em 18 de maio de 2017 às 08:00, por Cláudio Barboza.

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Em relação à criação do Caderno C não dá pra ir adiante sem falar da participação do professor Paulo Graça. Quem conheceu o Paulo sabe do brilhantismo do seu conhecimento intelectual, doutor com todas as letras na literatura, professor dos mais ilustras da Universidade Federal do Amazonas, autor de vários livros e durante bom tempo, articulista do Caderno B, do Jornal do Brasil, quando o JB era um dos mais destacados veículos da mídia brasileira. Foi um dos maiores intelectuais da história recente do Amazonas.

Paulo foi um colaborador e tanto do Caderno C, de A Crítica. Além dos artigos que produzia para o caderno, fazia sugestões a fim de melhorar a edição e muitas vezes se dava ao trabalho de fazer resenhas para uma coluna sobre livros que ele nem assinava. O que o Paulo queria mesmo, era abrir um espaço de cultura e entretenimento, que fosse regular na imprensa local. Conseguiu!

Outro destaque do Caderno C foi o escritor, poeta e publicitário Simão Pessoa. A cada segunda-feira um Simão mais atual aparecia, tornando o espaço dedicado aos artigos – em cada edição participavam de quatro a cinco articulistas – mais procurado e disputado. Além de temas variados e atuais, Simão Pessoa emprestou ao Caderno C, um texto moderno, com uma rara qualidade.

Nos dias do Caderno C, o bar que bombava era o “Paulo’s”, localizado no Conjunto Petros. A Boite dos Ingleses estava a todo vapor, enquanto o “Nostalgia” engatinhava na Cachoeirinha. Na Estrada da ponta Negra algumas casas noturnas começavam a surgir. O “Kanamari” era uma delas. O cabelo da rapaziada era mais comprido, barba ainda fazia sucesso no meio acadêmico e a minissaia botava as pernas pra fora da mulherada. Havia pouco ar condicionado nas casas. A arquitetura histórica de Manaus sofria efeitos violentos do crescimento desordenado da capital e o Bar do Armando começava a ser ponto de encontro de jornalistas, professores, artistas, escritores, músicos…

O dono de A Crítica, Umberto Calderaro, se preparava para comprar a TV Baré e uma rádio, enquanto o jornalista Atlas Bacelar assumia a redação do jornal. Mas estas são histórias mais para a frente…

sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.

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