BANNNNNNNG!

Em 20 de outubro de 2016 às 08:00, por Henrique Pecinatto.

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BANNNNNNNG! Ok, acho que desta vez fomos longe demais, mas não é o mais longe que se possa ir. Em 1927 um padre e cosmólogo belga chamado Georges Lemaître, propôs que a formação do Universo (do nosso, talvez de todos) tenha sido a partir de um átomo primordial. Este átomo apresentava temperatura e densidade praticamente incomensuráveis, haja vista que tudo o que é observável hoje, desde nós, os planetas, as galáxias, matéria escura (observada indiretamente), etc., estavam contidos neste átomo primordial. A partir de um instante, que comumente nos referimos a ele como “singularidade”, tudo o que estava contido neste átomo (acredito que ainda não se sabe exatamente o que havia dentro deste átomo) começou a expandir, como que um resultado de uma explosão, que é chamada de Big Bang. 

 

Esta singularidade diz respeito que, pelas equações, é impossível determinar o que aconteceu no instante de tempo zero, o tempo em que o Big Bang ocorreu. É como ter uma divisão por zero, uma indeterminação, por isso que não é o mais longe que podemos regredir, pois por essa teoria só é possível imaginar milhares de anos depois, e predizer como se deu a formação do universo que conhecemos atualmente.

 

Ao se expandir o universo também passou a resfriar, permitindo que núcleos simples, como o do átomo de Hidrogênio (um próton), pudesse existir. Posteriormente o próprio átomo de Hidrogênio, devido às altas temperaturas que ainda o universo se encontrava, possibilitou que uma fração desse átomo de Hidrogênio se fundisse, formando o átomo de Hélio. Esse processo é chamado de Nucleossíntese. 

 

Agora temos tudo para a formação das primeiras estrelas e, no interior delas, átomos mais pesados são formados, que depende da temperatura em que os interiores delas se encontram. Porém, há um limite para isso, que é o átomo de Ferro, pois cada núcleo de estrela possui um limite máximo de temperatura que elas atingem (depende do tamanho). Portanto, há um limite de energia para que os átomos sejam acelerados. Assim acontece em nosso Sol, onde o Hidrogênio é transformado em Hélio e, nessa fusão, o átomo resultante possui massa menor que os isótopos necessários para sua formação. Neste caso, a massa excedida é convertida em energia e alimentam a Estrela.

 

Depois do elemento Ferro, não é mais vantajoso energeticamente a formação de elementos mais pesados no interior das Estrelas, e para que isso aconteça é necessário que uma Estrela muito massiva venha a colapsar em uma explosão (as Supernovas). Nessas explosões que os elementos pesados, até o Urânio, são formados naturalmente. 

 

As Estrelas supermassivas não são tão comuns quanto as outras, isso explica a pouca disponibilidade dos elementos mais pesados no Universo, como podemos constatar aqui em nosso planeta. Ao explodir, a Estrela joga com violência esses materiais em todas as direções que, por ventura, participaram da formação de outros sistemas solares, como o nosso. 

 

Assim sendo, em nossa composição química possuímos restos de uma explosão de uma Supernova, que provavelmente é oriunda de outra Supernova, até chegarmos ao Big Bang. 

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sobre o autor

Henrique PecinattoAprendiz nível II de Físico, que em minha escala significa "falta muito para entregar a dissertação". 30/49 amazonense e apaixonado por esportes. Um curioso por natureza e da natureza, acha engraçado o caminhar das formigas, e amante de ímãs, mas tem um certo temor de eletrodinâmica.