Armadilhas da pauta

Em 20 de outubro de 2017 às 08:00, por Gilson Gil.

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A pauta política, às vezes, cai em armadilhas. Há temas que predominam, outros que surgem e anulam o restante e alguns que desaparecem por certo tempo.

Um desses que surgiu e acabou ofuscando o restante é o Fundeb. O ato do ex-governador Davi Almeida de ratear uma verba extra que veio entre os professores da Seduc acabou gerando uma pauta de fim de ano. O Fundeb tem uma legislação própria. Não há a obrigação de se ratear excedentes, sobras ou montantes. O que há é a obrigação de se aplicar um mínimo em pessoal. O gestor decidiu ratear diretamente uma verba extra, resultado de um cálculo revisto do repasse federal. Isso gerou um movimento na Semed que desejava equivalente gesto, pois também houve esse reajuste no repasse. O prefeito insiste que usou esse repasse em gratificações e reajustes, além de usá-lo para pagar fornecedores. Os professores, por seu lado, querem o dinheiro vivo, como na Seduc. Há uma verdadeira queda de braço há meses e não há indícios, pelo que se vê nas redes sociais, de um final para esse impasse. Sem pensar em quem tem razão, pois vários fatores legais e políticos entram em jogo aqui, o interessante é ver como o Fundeb virou uma pauta política importante. O atual governador já anunciou que irá pagar este mês a quarta parcela, que seria só para dezembro. Daqui para frente, em um futuro próximo, todos os gestores terão que se defrontar com essa questão, que seria um auxílio – o Fundeb –  e dar respostas que agradem aos professionais da educação e às demandas da administração, equilibrando-se nesse impasse.

Outro tema que vem dominando os debates e que tende a avançar, fato já detectado nas pesquisas, é a violência. Na campanha, houve a promessa do retorno do programa Ronda nos Bairros. É um programa caro e complexo. Realizá-lo em um ano é tarefa árdua e de difícil execução. A centralidade do tema violência nas redes sociais, na mídia e no cotidiano da população vem fazendo com que esse tema domine o imaginário do habitante de Manaus e do Amazonas. Cada vez mais, os esforços e recursos parecem ser direcionados a esse assunto. Os gestores, paulatinamente, serão avaliados, mais e mais, pelo que fizerem sobre essa questão. De forma muito similar ao Rio de Janeiro, a violência parece ser um tema que vai sobrepujando aos outros e moldando a subjetividade dos amazonenses.

Por fim, é bom citar o impasse financeiro da saúde. Depois das notícias sobre um possível “rombo” (há outro debate sobre o termo adequado), e das sombrias perspectivas desse setor, que mexe diretamente com a vida e a morte do ser humano, discussões acirradas surgiram no meio político. Também de forma crescente, esse assunto começou a inflar e dominar a mídia e as redes sociais. Por seu caráter vital, pois afeta a todos no que mais nos toca: a saúde, ele não parece dar sinais de que irá arrefecer.

Enfim, são três temas que estão crescendo e inchando. Por motivos justos ou não, o certo é que irão predominar nesse ano que se encerra e nos meses iniciais do próximo. Quem desejar se eleger (ou reeleger) terá de lidar com eles, sem falar de outros ligados, como desemprego, arrecadação ou crise. É torcer pelo melhor…

sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.

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