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    Quem vê cara não vê coração

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 03 de março de 1964.

    Se o dito popular assim o diz, é que está bem dito. Foto da Penitenciária, pra ficar bonita, tem que ser esta, do lugar do “corpo da guarda”, com sentinela à porta, de fuzil e tudo. Dando até vontade de entrar. Lá por dentro é muito diferente, com as celas, entre elas a célebre 25. Corredores sombrios, guardando muitos mistérios, histórias que nunca foram contadas e que é bem melhor nem tocar. Foi feita quando a ideia de cadeia era castigo, e nunca a correção, recuperação do indivíduo para a sociedade. Deve ter sido um modelo à sua época. Agora está desatualizada. Não somente criminosos comuns tem ela guardado. Os idealistas da Revolução de 24 devem aí ter permanecido. Um estrangeiro que dissera ter a Lei do Amazonas na carteira foi ai trancafiado por ordem de um governador. Assim contam os mais velhos e nós aceitamos para dar maior beleza ao conjunto. Como aquela do homem que a construiu e ao ser perguntado por que não cuidava melhor do Estado, respondeu: “Que quer o povo? Já fiz uma cadeia”. Além da Penitenciária, o povo a conhece melhor como a “Detenção”. Mais simples, não sendo porém o mais justo, que detido ali paga mesmo penitência, embora a formação humana dos diretores que por ali passam torne menos aflitiva a situação. Em dia de eleição é muito concorrida, nela funcionando várias seções eleitorais, reunindo os alfabetizados e os semi das redondezas. Caberia em qualquer filme feito nos “States”, que contasse histórias do princípio do século. Na sua austeridade impõe respeito e temos. E um constrangimento para seus ocupantes.

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