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    Pontes sobre o Mindu

    Vista do Complexo Viário Ephigênio Salles. À esquerda, a primeira ponte (acima) e a segunda ponte (abaixo) sobre o Mindu. Foto: Robervaldo Rocha. Acervo: Semcom.

    O igarapé do Mindu – um dos maiores existentes na área urbana de Manaus até os dias de hoje – recebeu, ao longo do percurso de suas águas, a construção de diversas pontes em madeira e em concreto. Entre elas, destacam-se três em razão de estarem situadas em importantes vias públicas da Cidade.

    A primeira delas foi construída na década de 50 como parte das obras de abertura da então Rodovia BR-17, Manaus- Caracaraí, e localiza-se no trecho hoje denominado avenida Mário Ypiranga Monteiro, ex-Recife, nas proximidades do viaduto Miguel Arraes.

    Antes disso, havia ali um pontilhão em madeira, erigido por um antigo morador da área, cuja residência situava-se no mesmo local onde existiu, por muitos anos, o Restaurante La Barca.

    Os estudos de planejamento dessa Ponte ocorreram em 1951, sendo realizados, conforme determinação do antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – DNER, atual Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes – DNIT, pela ARMCO, companhia americana especializada em serviços de drenagem e saneamento, com filial no Rio de Janeiro.

    O edital de concorrência pública para a construção dessa ponte, em concreto armado, foi publicado no Diário Oficial do Estado do dia 4 de setembro de 1953.

    A própria ARMCO deu início à obra, no entanto, de acordo com a Mensagem do governador Álvaro Maia apresentada ao Legislativo Estadual no dia 15 de março de 1954, a ponte havia desmoronado em consequência de enxurradas.

    Segundo esse mesmo documento, porém, sua reconstrução já estava sendo providenciada pela Comissão de Estradas de Rodagem do Amazonas – Cera, o que realmente aconteceu em 1954. A obra ficou sob a responsabilidade do engenheiro Arthur Vieira Lopes, fiscalizado por Gerson Skrobot, da Cera.

    Nesse mesmo ano, em função da falta de ferro e cimento em Manaus, os trabalhos foram paralisados. Somente em 1956, na administração estadual de Plínio Coelho, que essa construção foi finalizada, serviço executado pelo então Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas – DER-Am, ex-Cera.

    Ainda em 1956, construiu-se a segunda Ponte do Mindu, toda em madeira, para viabilizar o acesso dos pedestres ao balneário Parque 10 de Novembro, na atual avenida Darcy Vargas.  Duas décadas depois, o prefeito Frank Lima mandou substituir essa ponte por outra, em concreto, com um vão de 9,80 metros de largura, cuja construção foi concluída em março de 1974 pela empresa Conterra.

    Quanto à terceira ponte, também em concreto, foi construída pelo prefeito Jorge Teixeira, no prolongamento da avenida Paraíba, para dar acesso ao Conjunto Castelo Branco, bairro Parque 10 de Novembro. Fazia parte do pacote de obras realizadas na Cidade pelo Plano de Desenvolvimento Local Integrado – PDLI e foi inaugurada em 13 de novembro de 1976.

    Com a construção, em 2008, do viaduto Miguel Arraes – na confluência das avenidas Mário Ypiranga Monteiro, ex-Recife, Darcy Vargas e Ephigênio Salles –, aquelas duas primeiras pontes foram substituídas por novas, mais altas e mais largas. As obras foram executadas pela construtora Camargo Corrêa, mesma empresa que construiu esse elevado.

    Já a ponte da antiga rua Paraíba, atual avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho, é a única que ainda pode ser chamada de Ponte do Mindu, denominação popular que, por muito tempo, foi utilizada para designar essas pontes em virtude do nome do igarapé. As outras duas integram, hoje, o Complexo Viário Ephigênio Salles.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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