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    Onde o passado e o presente se encontram

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 04 de dezembro de 1963.

    Onde o passado e o presente se encontram.

    Entre os dois existe um passado negro, de escuridão. Tristonho. De trevas. Com apogeu de lampiões, candeeiros e lamparinas. E as velas de estearina como linha divisória entre o querosene e o gás liquefeito. O passado foi bom. Lampiões nas esquinas. Casais enamorados à procura de um desvão de porta para um encontro furtivo. Cloro como o dia, costumavam dizer. O Chico Reis e outros fornecendo a lenha, acha grande, que a caldeira da Tramways não gostava de “mocotó”. Encampação. Descaso. Cidade crescendo. Madalena. Arrependimento. Madalena de novo. Wilson Sons. Vergonha. Sujeira. Conjugados japoneses. Lugares claros, muitos escuros. Como breu. Usina flutuante, melhorando um pouquinho. Conjugados dinamarqueses anunciando que a Termo elétrica vinha ai. Nova usina. Moderna. Capacidade para suprir três ou mais vezes as necessidades atuais. E na entrada da ponte velha do Educandos, ao lado de um dos pavilhões da antiga sub usina da Manaus Tramways, os dois se encontraram. O velho poste de ferro da “Companhia”, abandonado, formato em cruz, num simbolismo gritante. E o contrate do outro, de cimento armado, com suas cruzetas simétricas, levando energia, progresso, civilização a toda a cidade. Há pouco os dois se tornaram íntimos. Quando não houve luz porque faltou água.

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