A Zona Franca faz aniversário!

Em 5 de Março de 2018 às 14:38, por Gilson Gil.

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A data de 28 de fevereiro é importante para o Amazonas: nesse dia foi criada a Zona Franca de Manaus. Desde então, mudanças significativas na economia, cultura e demografia local, entre outros itens, foi notada e sentida por todos da região.

Atualmente, em 2018, após 51 anos de sua implantação, muita coisa deve ser refletida sobre ela e seus impactos. Por um lado, sua importância econômica é inegável. São mais de 600 indústrias e cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos, fora os bilhões de reais em renda gerada pelo PIM. Não há político que não a insira em suas campanhas. Defendê-la é um dogma da política local. Não há quem ouse contestar tal evidência. O candidato que deixa-la de lado será agredido e ofendido como traidor e omisso por seus concorrentes. Por essa razão, em todas as campanhas sempre há quem fale em “defender a Zona Franca”, “prorrogar seus benefícios” etc… O povo vê o distrito industrial como um sonho de consumo. Sonha em trabalhar nele, ganhar um plano de saúde, alimentação e transporte grátis, financiados pelas empresas do PIM. Ter um emprego no PIM é o sonho dourado de grande parte da população, fato que ninguém deve pensar em duvidar.

Os governantes e empresários dependem diretamente dos salários gerados no PIM e da renda que ele gira mensalmente. Os shoppings, bares, restaurantes e casas de eventos, por exemplo, dependem na quase totalidade do dinheiro produzido no PIM. Os impostos são o motor do desenvolvimento de Manaus e do Amazonas. O orçamento estadual de 15 bilhões, maior do que quase todos os dos estados nordestinos, só é possível pelos tributos e pela renda gerada no PIM.

Porém, há outros lados dessa generosa e farta moeda. A migração maciça, geralmente de pessoas sem qualificação e baixa empregabilidade, gerou um crescimento demográfico espantoso. Os governos, no afã de gerar clientelas eleitorais, permitiram de tudo em termos de povoamento e habitação, desprezando qualquer tipo de paradigma urbano. Enfim, a cidade ficou violenta, suja, desordenada, esburacada, de ruas vazias e sem uma identidade cultural que lhe dê algum tipo de charme ou atrativo. Tentam se inventar tradições, como um “carnaboi” ou  as “feiras de tururi” ou dizer que o “tambaqui sem espinha” é um alimento típico imemorial. Contudo, os dilemas permanecem, os limites da cidade são claros e suas dificuldades não são reduzidas.

O PIM foi generoso e rico com Manaus. Porém, às vezes, parece tê-la acostumado mal, deixando-a sem opções de sobrevivência. Quem consegue pensar, realisticamente, Manaus e o Amazonas sem o PIM e sua riqueza e seus impostos?! Difícil pensar alternativas. Turismo, piscicultura, agricultura etc…são mesmo alternativas reais? Até que ponto? Esses são impasses que a Zona Franca nos deixou e deixa, mesmo ao risco de sermos repetitivos nos alertas.

sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.

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