A SEGURANÇA EM QUESTÃO

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Esta semana muito se falou sobre o relatório da consultoria de Giuliani acerca da segurança no Amazonas. Os valores milionários do contrato, realizado sem licitação, assustaram e causaram impacto na opinião pública local.

O fato mais relevante desse relatório, que poucos viram ou leram, foi ele ter chamado a atenção para a questão do tráfico de drogas nas fronteiras. Sem querer avaliar o valor do contrato, é importante notar que a questão da fronteira já é um assunto avaliado pelas autoridades há anos. Há programas nacionais e locais, como o ESFRON e O PEFRON, que têm o foco na segurança das fronteiras. Há tempos que esses programas alertam para a necessidade de um plano estratégico de vigilância nessas áreas e para a formação de parcerias entre o governo estadual e a União. Então, não sei se podemos falar em “novidade” nesse relatório, considerando apenas o que foi noticiado sobre a fronteira.

Além disso, é relevante notarmos que a diferença nas legislações americana e brasileira é muito grande. Infelizmente, pelo que se vem noticiando sobre essa consultoria, não há previsão de qualquer tipo de intercâmbio dos analistas estrangeiros com especialistas locais. Há institutos no Brasil, ligados ou não a universidades, que se dedicam a investigar a questão da segurança pública, mas que, até momento, não foram consultados para eventuais parcerias nesse processo. Uma pena, pois é um conhecimento acumulado que poderia ser utilizado de forma mais eficaz e concreta. Há muitos dados já coletados em nível nacional e regional que poderiam ser usados nesse tipo de análise e que, pelo visto, não foram consultados. No âmbito estadual, também há pesquisadores que trabalham esse tema, seja no próprio governo ou nas universidades locais, cujo centro das análises é o tema da segurança. Pelo andar da carruagem, parece que também não serão consultados pelos analistas externos, o que me parece uma deficiência, pois é um problema que merece uma visão mais plural. Isso tudo é estranho, quando se ouve que os membros da empresa de Giuliani usaram os dados coletados pela própria polícia local, ou seja, não fizeram nenhum tipo de trabalho de campo.

Tomara que o contrato preveja algum intercâmbio, palestras ou oficinas. Seria benéfico aos estudiosos locais terem conhecimento do que esses analistas estrangeiros possuem de diferencial competitivo. Creio que poderiam dar conferências na universidade estadual, socializando seus métodos e suas descobertas. Sua consultoria deveria gerar frutos para além do mero relatório, que, pelo que se noticiou, apenas ratificou coisas que já circulavam nos meios especializados.

É aguardar e ver o relatório na sua íntegra. Espero que ele seja colocado logo à disposição da sociedade, em algum site oficial, para que possamos avaliar seus resultados e mensurar seu real valor. Também espero que os analistas do Giuliani compartilhem seu conhecimento e sua metodologia de trabalho, para que possamos não “desenvolver” nossos estudos e , quem sabe, não mais precisar de tais “consultores” do primeiro mundo.

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