A gestão e as candidaturas

Em 27 de julho de 2017 às 08:00, por Gilson Gil.

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As eleições suplementares se aproximam. Se nada mais acontecer no âmbito jurídico, elas ocorrerão mesmo em agosto. Os candidatos transitam com desenvoltura, mostrando suas ideias, personalidades e intenções. Na tv, os debates e comerciais exibem suas virtudes e fraquezas diariamente.

O que iremos, de fato, ter, esquecendo um pouco as propagandas muito bem feitas e produzidas, no Amazonas, nesses quatorze meses de novo governo?! Penso que é um tempo somente de se checar as contas públicas, ver o que foi gasto, quanto ainda se arrecadará e o que se poderá realizar. Como sempre, proliferam as promessas, as utopias e as garantias. Contudo, no meio de uma das maiores, se não for a maior, crise recessiva do país, com uma queda brutal na arrecadação estadual, o que, de fato, se poderá realizar?

A população, na sua maioria, já escolheu a segurança como seu maior problema, aquele que deseja ver resolvido imediatamente. Andar em Manaus, ou mesmo circular de carro ou ônibus, é uma aventura digna de um Mad Max. Ninguém mais sabe se voltará para casa. Não há local inviolável, como os solos sagrados do filme Highlander, qualquer recinto é alvo de assaltos e tiroteios. Porém, qual a resposta? Armar mais a polícia, criar batalhões especiais, melhorar a inteligência, fiscalizar as fronteiras, se associar à PF?! São várias as ideias, mas todas de longa e difícil execução. E isso sem contar no problema dos salários dos policiais e suas promoções, que mexerá, sim, na folha do funcionalismo e nos limites do gasto público.

Do mesmo jeito, os professores encontram-se também com os salários defasados e corroídos pelo custo de vida e pela inflação. A educação não está muito no foco dos candidatos. As pesquisas, pelo jeito, não apontam nessa direção, pelo menos, nesta eleição. Por outro lado, a saúde é sempre criticada e também chovem propostas miraculosas, algumas temperadas por enunciados enfáticos sobre gestão, terceirização e concursos.

Enfim, como citei acima, parece a eleição da GESTÃO. Todos os candidatos, até os menos badalados, cismaram de dizer que o “problema do Amazonas” é gestão. Nas suas falas, o dinheiro parece fluir generosamente nos cofres públicos. Os entraves seriam apenas de “gestão”. Várias vezes, contudo, fiquei olhando e pensando: será que as pessoas sabem o que é gestão? Será que os candidatos sabem o que é gestão?

Há algumas eleições atrás, a palavra mágica era PLANEJAMENTO. O candidato deveria dizer que planejava, que tinha planejamento. Agora, gestão virou o doce na boca dos partidos e políticos.

Para finalizar, gosto de dizer que eleição tem uma dose inevitável de sonho, de desejo e utopismo. Sem isso, não precisaríamos de inovações. Entretanto, será que é só gestão que falta? Será que os novos candidatos sabem tanto de gestão? E o que entendem por gestão? Muitos já passaram por vários cargos, alianças e secretarias, ou seus partidos e vices já transitaram por todo o espectro eleitoral. Será que só agora despertaram para as maravilhas da gestão?

Um pouco de realismo nesses meses seria interessante, sem tirar de vista o lado onírico da campanha. Serão duros quatorze meses. Eles não querem e não gostam de falar, mas deveriam ser meses de cortes, de controle e reorientação nos gastos. Quais as prioridades novas a serem resolvidas? Há novas prioridades? Enfim, ainda há muito a ser esclarecido, para além do mundo mágico da gestão.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.